Quem não é para correr, não é para enfardar #5

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Parece que foi ontem que comecei a treinar para a meia maratona de Madrid e hoje já vos escrevo sobre a prova. Já tinha partilhado convosco como foi a última semana mas a verdade é que as maiores emoções começam no dia da prova.
Sempre que tenho algo importante acontecer na minha vida tenho por hábito ficar nervosa nos dias anteriores e a ficar mais calma no dia do acontecimento. E desta vez não foi exceção. Quando estava a fazer a viagem para Madrid ia um pouco nervosa mas quando me deitei já estava super calma. Também foi muito importante ter planeado a viagem com tempo.
Fomos para Madrid de carro e optámos por fazer algumas paragens, incluindo uma paragem estratégica em Salamanca para almoçar e passear com calma.
Chegámos a Madrid ao final da tarde e, depois do check in feito, jantámos e preparámos tudo para a manhã seguinte.
Vimos no mapa qual era o ponto de partida da prova e como iríamos para lá. Deixámos tudo pronto para que conseguíssemos tomar o pequeno almoço pelo menos 2 horas antes da prova, preparámos os dorsais e fui dormir. Sentia-me calma e descontraída.

Manhã antes da prova:
Quando acordei tive a sensação de ter descansado.
Tomei o pequeno almoço e saí de casa animada e sobretudo motivada.

Chegada ao local:
Como decidimos ir a correr para a zona da partida, parte do aquecimento ficou logo feito e as pernas começaram a ficar preparadas.
Não sei se têm noção mas naquele dia correram cerca de 35.000 pessoas. Não corremos todos ao mesmo tempo. É obvio que tivemos de ser divididos e que em primeiro correu a elite, os corredores mais rápidos.
Eu ía na penúltima divisão porque apontava para demorar mais de 2 horas e menos de 2 horas e 30 minutos.

A prova:
Mal começou não faltava gente a correr ao meu lado. E eu, ingénua, pensava que isso iria melhorar à medida que os km’s passassem. Mas não, acabou por ser assim até ao final. Se por um lado é chato para quem está a tentar fazer algum tempo em especial, por outro, fez com que eu fosse sempre distraída e não corresse o risco de me aborrecer como me acontecia quando comecei a treinar.
Eu já sabia que o percurso era diferente de 2016 e que, apesar de ser com subidas e descidas, nunca seria nada muito acentuado.
E isto parecem ser só boas notícias. Mas a verdade é que, como eu comecei a prova muito entusiasmada acabei por correr um pouco a cima das minhas possibilidades. Claro que nem estava a dar conta dos km’s a passar mas quando cheguei ao km 13 a coisa mudou. Comecei a pagar o esforço e as pernas começaram a doer. Concentrei-me e e tentei manter um ritmo confortável e que ao mesmo tempo me fizesse cumprir o meu objetivo: correr a baixo das 2 horas e 15 minutos.
Nunca senti que entrasse no chamado piloto automático. A verdade é que depois do tal km 13 fui super positiva e comecei a dizer à minha cabeça que estava quase.
Durante toda a prova não me recordo de ter visto uma única placa com a indicação dos km’s. Não sei se não havia mesmo ou se fui eu que não vi. Mas gostei muito de não ter visto nada porque assim sempre que soube em que km estava fiquei sempre surpreendia, pela positiva claro.

Apoio:
Nesta prova eu sabia que nunca iria estar sozinha. Fui sempre acompanhada. Aliás, fomos os dos correr pelo meu objetivo. E significou muito para mim em vários aspetos. Primeiro porque na única vez em que desmoralizei por causa do cansaço, pedi logo ajuda para me distrair e voltei rapidamente a ter o controlo da minha cabeça.
Outro aspeto importante é que eu nunca parei para ir buscar a água, a bebida energética ou o gel. O acordo era eu continuar sempre a correr e ele depois alcançava-me com as coisas. Numa prova em que corre muita gente ao teu lado, acabas sempre por perder tempo nos abastecimentos, por isso foi uma grande ajuda.

O apoio na cidade também foi único. É normal que não estejam pessoas ao longo do caminho todo, mas quando nós mais precisámos, elas estavam lá. Meu deus, ainda hoje me arrepio só de pensar. Os últimos km’s estão cheios de pessoas a apoiar e a dizer que falta pouco para o final. Dizem-nos que somos campeões e aquelas palavras entram na nossa cabeça de tal forma que a motivação escala. Mas o derradeiro apoio é na passadeira vermelha que tem a meta como final. Lembro-me como se fosse hoje. Lembro-me de ver uma menina com uma bandeira de Portugal e de lhe gritar que eu também era de mesmo país  São sensações que não se esquecem e valem todo o esforço.

Foi também nesta prova que vi várias demonstrações de apoio. Nunca tinha visto pessoas cegas a correr acompanhadas de guias. Pessoas a fazer a prova a empurrar cadeiras de rodas e também assisti a pessoas que estavam já cansadas e a caminhar, e às quais uma palmada nas costas e um “forza, vamos campeón” tenha feito a diferença.

O meu objetivo:
Foi cumprido. Só tinha feito uma meia maratona, e tinha sido na mesma cidade em 2016. Na altura demorei pouco mais de 2 horas e 30 minutos e em 2019 consegui correr em 2 horas e 11 minutos. Não poderia ter corrido melhor. Eu acho que dei tudo o que poderia dar. Aliás, eu nos últimos metros estava bastante motivada e até estava a tentar gastar as minhas energias todas para correr mais rápido. Mas o corpo já não respondia, então optei por chegar de cabeça erguida e feliz.
E foi a melhor sensação de todas.

Organização da prova:
Esta pode até nem ser a opinião geral mas a verdade é que desde a recolha dos dorsais até ao final da prova achei sempre que as coisas correram bem. O único que para mim poderia ser alterado é dividirem ainda mais as pessoas uma vez que há tantos inscritos. E dessa forma, seria mas fácil correr e não haveria tanta necessidade de estar sempre a ultrapassar pessoas.

Para já não tenho mais nenhuma prova marcada nem sei se terei tão cedo. Mas vou continuar a treinar, porque agora que já consigo desfrutar disto, não posso, nem devo voltar atrás. Já se tornou numa terapia.


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